domingo, 24 de janeiro de 2016

EDITORIAL: Em tempos de crise nas prefeituras, como fazer o carnaval?

Sabemos que o carnaval é considerado a maior festa popular do mundo. E no Brasil, com certeza ela acontece de forma bem mais intensa apesar de ser realizada de forma oficial em 4 dias. Vale salientar de antemão que o nosso objetivo neste editorial não é o de desqualificar o carnaval, quer seja por questões religiosas ou outras quaisquer, mais sim de mostrar a realidade dos fatos através de argumentos consistentes.

Vamos contextualizar a situação para o nosso estado do Rio Grande do Norte, e, por conseguinte delimitar para a cena local. Há muito meses que as prefeituras potiguares vêm sofrendo com quedas constantes e substanciais no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que, para muitas cidades do interior do RN, como é o caso de Angicos se mostra com a maior forma de obtenção de recursos.

A própria entidade representativa dos municípios potiguares, a FEMURN, além do Ministério Público Estadual estão aconselhando os prefeitos potiguares a conter gastos, promover demissões de cargos comissionados, e, principalmente priorizar investimentos com os recursos que já são tão escassos. Ai, aproveitamos essa recomendação da federação dos municípios potiguares para interrogarmos aos nossos leitores, saúde, educação, pagamento de servidores efetivos são ou não prioridades para uma cidade?

Então imaginemos cotas de FPM entrando praticamente zeradas nos repasses feitos pelo governo federal nos dias 10,20 e 30 de cada mês onde dele e somente dele o município do porte de Angicos têm que fazer o compartilhamento para a secretaria de saúde para mantimento de serviços básicos para a população, para o fundo de desenvolvimento do ensino básico (FUNDEB) também para arcar com despesas na área de educação e pagamento dos salários dos nossos educadores, como também para obrigações essenciais para o município como o pagamento do INSS e o repasse para as câmaras municipais que acontece todo dia 20 de cada mês.

Depois de todo esse retalhamento dos recursos do FPM, o que sobrar aí sim poderá ser utilizado para outras finalidades pelo gestor municipal. Mas, ai meus amigos é onde está o x da questão, poderia até sobrar recursos e quem sabe realizar um bom carnaval para os foliões, mais se não sobra nada devido, repetimos a diminuição constante que o governo federal vem impondo aos municípios. E aí? Como fazer o carnaval?

Mesmo gostando muito da festa de momo, e, que sabemos que a maioria da população gosta dos 4 dias de folia, seria hora de agirmos com a razão ao invés de com o coração.

Quando observamos cidades como Macau que realizara em anos anteriores o maior carnaval do estado, onde a arrecadação do FPM naquela cidade é praticamente “uma gota no oceano”, devido o grande poder de arrecadação que a cidade salineira tem com a produção de petróleo e de sal, este ano não será realizado pela gestão municipal, e outro exemplo é a cidade de Mossoró que é o maior produtor de petróleo em terra do Brasil cujo seu prefeito é o presidente da federação dos municípios, este, já declarou que não disponibilizará recursos para a realização do carnaval. Mediante estes fatos, nós paramos e refletimos: é má vontade por parte dos gestores municipais? Ou é senso de responsabilidade para com os recursos públicos?

Temos uma facilidade imensa de taxar a classe politica de corruptos e ladrões quando percebemos que estes estão de fato surrupiando os recursos públicos e não estamos tirando a razão das pessoas não, é de indignar mesmo a roubalheira que se sucede por alguns membros da classe politica brasileira. 

No entanto, quando estes agem com responsabilidade como é o caso de não querer no caso dos prefeitos dos pequenos municípios realizarem despesas com festas como o carnaval em detrimento de outras prioridades os criticamos e os escrachamos.  

A nossa opinião é que não devemos nesse momento agir usando como diz o adágio popular com “dois pesos e duas medidas” e sim, agirmos com prudência e racionalidade.

Portanto, ao finalizarmos este editorial, repetimos que respeitamos e vemos com bons olhos o carnaval, pois as pessoas também necessitam de lazer para viver bem, mais diante das quedas bruscas de arrecadação de recursos advindos do governo federal e da necessidade de com pouco dinheiro os prefeitos devem escolher prioridades para os investimentos que os municípios pequenos como Angicos dispõem como para a saúde, educação, assistência social, entre outros, nesse momento, fica a indagação: como fazer o carnaval? 

Fonte: Blog Angicos News.

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